Hormônio em frangos: verdade ou mito?
A criação de frangos está difundida por todo o mundo por ser uma carne considerada saudável, de baixo custo e de fácil produção intensiva. A rígida seleção de animais geneticamente superiores há décadas nos proporcionou linhagens de crescimento rápido, excelente conversão de alimento em tecido vivo e cobertura muscular avantajada o que proporciona ganhos para toda a cadeia produtiva e, inclusive, para o consumidor final que tem em mãos um produto com qualidade e bom preço.
No entanto, temos visto na mídia jornalistas de renome em grandes emissoras difundindo a informação de que os frangos são desenvolvidos com a ajuda de hormônios e que esses hormônios estariam influenciando o crescimento e desenvolvimento das pessoas.
É esse o ponto que iremos esclarecer hoje nesse artigo com base em informações de especialistas no assunto.
O "X" da questão
O tempo de engorda dos frangos, isto é, o tempo desde seu nascimento até atingir o peso ideal para o abate, apresentou um decréscimo acentuado no último século. No início do século, esse tempo superava os 100 dias, já no final do mesmo século o tempo caiu para 45 dias.
Una essa informação ao fato de que a mortalidade dos animais caiu de 18% para 4% aproximadamente e que a quantidade de ração para promover a engorda dos frangos também foi reduzida em cerca de 50%, e o cenário como um todo começa a beirar o inacreditável e as pessoas começam a se perguntar como isso é possível.
Os argumentos
A explicação popular que vemos por aí é unânime: hormônios indutores de crescimento! Essa informação é divulgada tanto por leigos como por profissionais da área da saúde como médicos e nutricionistas, inclusive publicando artigos em revistas. Fazendo uma pesquisa de opinião entre conhecidos logo descobrimos o quanto essa informação está difundida.
Mas o uso de hormônios em frangos não passa de um mito, de uma lenda urbana! Afinal, qual é o segredo dos frangos? O PhD da Embrapa, Médico Veterinário Dr. Cláudio Bellaver, explica que nas últimas décadas diversas pesquisas e a constante seleção genética favoreceram o balanceamento das rações, o controle de doenças, a ventilação adequada, as luzes artificiais e a melhora do aproveitamento do alimento; culminando com o abate cada vez mais precoce dos frangos.
A Médica Veterinária Rita Dulac Domingues, publicou recentemente um excelente trabalho sobre a criação de aves e acrescenta a ineficácia de adicionar hormônios de crescimento à ração dos animais. “Utilizados através da dieta, não produzem os efeitos desejados, pois são quebrados/destruídos pelas enzimas do sistema digestivo das aves. Também não poderiam ser injetados uma vez que, para obter algum efeito no crescimento, a administração deve ser diária.”, explica Rita. Os gastos com o manejo de milhões de animais para aplicação do hormônio e o estresse inviabilizariam a produção sem dúvida.
Além disso, o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC) do Ministério da Agricultura monitora a presença de medicamentos veterinários de uso proibido em carnes, inclusive hormônios, inviabilizando o comércio dessas substâncias para esse fim. A Dra. Rita acrescenta: “Sendo assim, o primeiro impasse que a indústria avícola teria que superar seria o contrabando contínuo e sistemático destes produtos em escala gigantesca, sem chamar a atenção das autoridades e das empresas concorrentes, além de manter o sigilo dos funcionários que teriam conhecimento do uso de substâncias ilegais nos aviários”.
O que é utilizado realmente na ração dos animais, o que contribui para o mito, são os promotores de crescimento. São antibióticos utilizados em quantidade muito menor do que a dos medicamentos. Eles melhoram as condições gerais do intestino das aves, evitando diarreias por exemplo, e contribuem para que elas aproveitem melhor o seu alimento.
Quanto aos limites máximos de resíduos (LMR) de antibióticos na carne dos frangos, o Brasil segue o Codex Alimentarius, um programa das Nações Unidas que define regras de segurança para consumo de alimentos em todo o mundo. De acordo com o Ministério da Agricultura, desde 1979 são monitorados resíduos desses antibióticos nas carnes de frangos para exportação e consumo interno.
Em muitos países da Europa essas substâncias são proibidas em função do debate sobre seu uso indiscriminado e o desenvolvimento de resistência das bactérias. Devido à postura Europeia, os criadores brasileiros vêm diminuindo o uso dessas substâncias ou utilizando-se de alternativas como probióticos, enzimas, vitaminas e extratos vegetais.
Conclusão
O crescimento acelerado dos frangos de granja é fruto de um manejo adequado, temperatura controlada, umidade controlada, ração de qualidade à vontade, água fresca o dia todo e décadas de seleção genética. Os custos do manejo de milhares de animais para administração de hormônios, os riscos da manipulação de substâncias ilegais sob olhar rígido da fiscalização do Ministério da Agricultura e a constante pressão da comunidade internacional para a qualidade do alimento importado do Brasil são fatores que excluem a possibilidade do uso dos hormônios nos frangos.
Não devemos acreditar em tudo o que a mídia fala. Procure sempre a opinião de especialistas e de entidades ligadas ao assunto em questão. A informação de qualidade é o maior tesouro que temos.
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